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Terapia corporal

Este cantinho do site é onde discutimos com calma e atenção os conteúdos científicos, vivências e experiências, na visão da terapia kahuna e das terapias neo reichianas. É o lugar da reflexão e da provocação, sem a pretensão das certezas e longe dos esquemas de manipulação

Como descrever uma massagem kahuna 

Apaixonei-me pelo trabalho da mergulhadora Julie Gautier, talvez por ver, em seus filmes, uma descrição sem palavras, em movimentos e fluxo, do ideal da terapia kahuna e de toda a terapia corporal. Esta coreografia, não a enxergo, sinto, todos os dias, no bailado oceânico da tradição kahuna. É libertador, profundo, poético, e traz, das entranhas, o humano.
No Youtube, utilizei o link de Julia Bludova.
Não localizei os créditos da produção.
O site de Julie gautier é Water Tales

Sem aterramento, somos seres erráticos, à deriva

O conceito de grounding, aterramento, desenvolvido principalmente por Alexander Lowen, é uma das colunas da terapia bioenergética. Com exercícios voltados para a base do corpo, resgata-se a sensação de estar presente no mundo, enraizado, firme, estável.

O vídeo mostra os seres sacolas da performer Phia Ménard, com a Compagnie Non Nova.

São estruturas simples, construídas com sacos plásticos e fita adesiva e animadas por ventiladores dispostos no palco.

Seu movimento errático, embora poético, é angustiante, metáfora para o corpo inflado por suas emoções, sem conseguir se firmar no chão e dar direção à própria vida. O desejo vai para um lado, o corpo para outro, e os encontros são inconclusivos. Usei o link de The Ark, Dublin. A música é Prélude a l'après-midi d'un faune, Debussy, Pierre Boulez.

Respiração e memória do trauma emocional

O reflexo mais comum, quando sofremos um trauma, é prender a respiração. Com o tempo, aquela retenção “se congela” e é integrada ao corpo como postura constante, uma couraça limitadora da experiência emocional. Por isso liberar o diafragma, músculo central na respiração, costuma liberar conteúdos emocionais intensos. Neste filme maravilhoso, a dançarina, coreógrafa, mergulhadora e diretora de 

cinema Julie Gautier exibe o modo como lidou com seus próprios traumas, num meio onde é impossível falar e respirar - “apenas sentir e ser transparente”. A filmagem foi feita em apneia, em uma piscina de 40 metros de profundidade. Julie descreve a experiência como um olhar para seus traumas mais profundos: "É um estado de presença absoluta. Na ausência de respiração, você não pode mentir para si mesma. Suas couraças derretem, porque não há energia para mantê-las."

Luto- "Eu carregava uma dor profunda, uma perda que não conseguia processar com a fala. Não é apenas uma dança, é o meu processo de luto. Eu precisava que a água segurasse o meu peso, que a resistência da água desse forma à minha dor. Quando eu danço em apneia, estou liberando cada célula daquela memória traumática. A água é o útero onde eu pude morrer e renascer”, diz Julie.“Eu queria compartilhar a minha maior dor nesta vida com este filme. Para que não fosse muito crua, eu a cobri com graça. Para que não fosse muito pesada, eu a mergulhei na água. Dedico este filme a todas as mulheres do mundo”.
O link que usei aqui é de Guillaume Néry, e ali estão todos os créditos do filme. O site oficial de Julie Gautier é Water Tales.

O véu que oculta, também limita e restringe

O vídeo de aproximadamente 6 minutos mostra 3 representações artísticas da história de Salomé, associada, na Bíblia, à morte de João Batista. A célebre dança dos sete véus, que a tradição apresenta como sedução, aparece, na coreografia dramática de Stephen Pier, como periferia angustiante, que limita o corpo e, por consequência, a vida. A peça, maravilhosamente apresentada por Katherine Crockett, é tensa e provocadora. Convida a pensar na pressão exercida sobre as mulheres, e na constante anulação de sua natureza pela contenção do corpo.

Na edição, usei a versão da peça de Pier publicada pela Biblioteca Visual Miguel de Cervantes, além do filme Salomé, de 1923 (Charles Bryant e Alla Nazimova), baseado em peça de Oscar Wilde,  e a famosa Salomé de 1953 (William Dieterle - Rita Hayworth).

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