top of page

Deixe a emoção emergir

u6569986934_crie_a_imagem_de_uma_mulher_nas_ruas_de_uma_grand_b370a93e-8e49-4830-bf84-9411

Neste livro apresento as bases do meu trabalho, a partir da massoterapia e das terapias neo reichianas

  • O que são emoções?

  • Como as emoções se expressam em seu corpo?

  • Como a terapia trata questões emocionais a partir da massagem?

  • Como a emoção foi vista em diferentes momentos da História?

  • Que é kahuna?

  • O que a massagem kahuna tem a ver com as emoções?

  • Maternagem na massoterapia e na terapia corporal.

  • Terapia do colo.

Um livro que começa pelos dois lados e contém uma massagem

O livro tem Lado A e Lado B, como os antigos discos de vinil. No lado A, a leitura é sobre os conceitos e a história, e no Lado B está a sessão de prática, com exercícios e disciplinas.
Voucher - Você pode adquirir somente o livro ou, se preferir, um exemplar que dá direito a uma sessão de massagem kahuna comigo (exclusivamente em Curitiba).
É perfeito para dar de presente, pois você presenteia com uma massagem, mas tem o livro físico para materializar seu gesto.

Leia um trecho aqui

Emoções e sentimentos são a mesma coisa? Sem dúvida são coisas muito parecidas e que eventualmente se misturam, mas podem ser distinguidas, e é um exercício interessante observar uma e outra no corpo.

Para entender um pouco melhor o que são emoções e sentimentos, vamos relacionar alguns deles, aleatoriamente: medo, luto, remorso, 

euforia, alegria, tristeza, angústia, raiva, amor, desapontamento, êxtase, nojo, surpresa, vergonha, inveja, orgulho, desprezo, pânico, ciúmes, gratidão, compaixão, amargura, melancolia, desespero, otimismo.

Observe essa lista. Perceba que ela pode ser dividida em duas partes entre as quais há uma diferença sutil, porém essencial. Alguns desses substantivos se referem a algo instantâneo, que nos ocorre eventualmente, e que provoca em nós uma resposta biológica automática. São sensações curtas, breves, praticamente um susto, um imprevisto, e disparam em nosso organismo algum tipo de resposta imediata, normalmente relacionada à sobrevivência. Essas são as emoções.

O medo é seu melhor exemplo.

Na segunda metade da lista estão processos conscientes e duradouros que desenvolvemos a respeito das emoções. Enquanto a emoção é súbita, o sentimento é construído lenta e progressivamente.

O amor, por exemplo, é um sentimento que se forma a partir de emoções como o desejo.

O desejo, que é uma emoção, pode se tornar um sentimento, como a obsessão, quando longamente acumulado e experimentado.

A emoção se dá na musculatura, nos ossos, nas entranhas, o vazio no estômago, o nó na garganta, a diarréia súbita. Geralmente ela é visível, como a face vermelha de raiva, ou pálida de medo.

O sentimento é a consequência progressiva e persistente de uma ou de várias emoções acumuladas. A saudade, por exemplo, não ficaria na lista das emoções, mas sim dos sentimentos, pois se forma aos poucos.

A amargura, ou a melancolia, igualmente, são sentimentos, não emoções. Podem ser resultado de uma ou muitas decepções.

Repare o horror nos olhos de Ivan, o Terrível, após ter matado, num surto de ira, o filho, Ivan Ivanovich, com um golpe de seu próprio cetro na cabeça do herdeiro, em 1581.

O quadro pintado por Ilya Repin em 1885 retrata o pavor experimentado pelo czar diante da tragédia que ele mesmo provocou. Esse pavor é a emoção, ele é visível, é óbvio, ele grita.

O remorso, o arrependimento e a melancolia que se seguiram e se apoderaram do czar após o assassinato, são os sentimentos. Silenciosos. Não gritavam, mas podiam ser notados por quem olhasse o conjunto, a decadência geral do corpo, assim como a tentativa patética do soberano de mitigar a culpa doando grandes somas à igreja. Dois anos e cinco meses após matar o filho, o czar morreu, aos 53 anos, com o organismo visivelmente debilitado, supostamente por um AVC.

Um sentimento também se ancora no corpo, como uma emoção, porém nele existe uma interferência cognitiva, uma aproximação observadora, uma elaboração, da qual participam os pensamentos.

Ele também é visível, mas, para percebê-lo, é necessário olhar de longe, olhar para a estrutura do corpo, sua configuração completa. Nessa pintura de Pablo Picasso (O velho guitarrista, de 1903), a depressão se mostra não em um detalhe,

mas no conjunto, o corpo dobrado sobre si, as pernas abandonadas, a falta generalizada de tônus na musculatura, os dedos sem força em torno do instrumento, a boca entreaberta, como quem não respira, apenas deixa que saia, sem iniciativa,

um suspiro.

Ainda é possível mencionar o frio da pele, comunicado pelos tons de azul utilizados pelo pintor.

O quadro todo exibe o sentimento.

bottom of page